O Astronauta
Meu nome é João Allex, tenho 40 anos e sou capricorniano, o que talvez explique uma parte de quem eu sou, mas nunca o todo.
Minha vida nunca seguiu uma linha reta, e hoje isso já não me incomoda. Sou feito de fases, excessos, silêncios e algumas contradições que aprendi a aceitar, mesmo quando ainda não consigo resolvê-las por completo. Continuo sendo uma pessoa difícil em certos aspectos, criterioso, às vezes impaciente, com uma memória afetiva bastante seletiva e um olhar atento para o que me soa vazio. A diferença é que, com o tempo, aprendi a lidar melhor com isso. Nem sempre com leveza, mas com mais consciência.
Meus gostos continuam particulares, embora hoje eu os reconheça simplesmente como parte da minha identidade. Nunca precisei transformar intensidade em caos para sentir que algo é verdadeiro. Leveza, para mim, segue sendo um valor central, inclusive onde muitos esperam o contrário.
Cresci entre universos como Harry Potter e Pokémon, atravessei fases literárias marcadas por autores como John Green, David Levithan, Meg Cabot, Kiera Cass e Veronica Roth, e sigo acreditando que certas histórias nos encontram no momento exato, mesmo quando ainda não sabemos o que fazer com elas. As Crônicas de Nárnia também passaram por mim, e algumas influências não exigem explicação para permanecer.
Musicalmente, sou atravessado pelo pop. Britney Spears não é só uma referência, é quase uma linha contínua na minha trajetória. Comecei com Spice Girls, repetindo fita cassete até o limite do suportável, inclusive para quem morava comigo. A fita desapareceu em algum momento. Eu cresci, mas nunca deixei de suspeitar. E continuo seletivo. Coerência, para mim, também é um tipo de fidelidade.
Hoje valorizo mais o meu espaço. Gosto da minha casa, do meu ritmo, das minhas pausas. Maratonar séries virou um hábito quase ritualístico. Game of Thrones, Sherlock, Downton Abbey, Modern Family. Algumas ficaram, outras passaram, mas todas ajudaram a construir esse exercício constante de observar histórias enquanto organizo, aos poucos, a minha própria.
Gosto de filmes, principalmente quando vêm acompanhados de silêncio confortável e de uma presença que não exige esforço o tempo inteiro. Tenho um apreço contínuo por comédias românticas e boas adaptações literárias. E ainda acredito que certas combinações carregam suas próprias possibilidades, sem precisar de grandes explicações.
Sobre relacionamentos, o tempo me tornou mais criterioso, não mais fechado. Aprendi que paz não é negociável e que atenção não se pede, se reconhece. Estou casado há sete anos, em uma construção que não é perfeita, mas é real, consistente e escolhida todos os dias. Continuo acreditando que relações precisam de espaço, leveza e vontade genuína de permanecer. Amar, no fim, também é saber continuar sem deixar de ser quem se é.
Entre as coisas que ainda me atravessam estão mapas, praias, cachorros, corridas ocasionais, mais como intenção do que como hábito, fotografia, dias quentes, domingos sem pressa, boas conversas, risadas inesperadas e o prazer silencioso de um trabalho bem feito. Ainda me interesso por detalhes aparentemente aleatórios, nomes de cidades, estantes de livros, referências discretas e pessoas que despertam curiosidade. E sigo achando graça em conversar com cães, mesmo sabendo que não haverá resposta.
No fim das contas, sou alguém que observa com atenção, sente com intensidade e escolhe com cuidado quando e como falar.
Seja bem-vindo.
Se você se perder por aqui, talvez isso também faça parte do caminho.
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